Alice Adams (1935)

Em meados da década de 1930, Katherine Hepburn era uma das grandes estrelas de Hollywood. Sob contracto da RKO Pictures, Hepburn ganhou esse estatuto graças ao sucesso de um conjunto de filmes, entre eles Gloria de um dia (1935), que lhe valeu o Óscar de melhor interpretação feminina. No entanto, os seus filmes seguintes revelaram-se fracassos de bilheteira e a sua carreira entrara numa fase descendente.

Katherine Hepburn e o estúdio viram no romance “Alice Adams”, que valeu um prémio Pulitzer à autora Booth Tankington, a história perfeita para relançar a carreira da actriz. Perante a história de classes e a complexidade da personagem, o maior desafio que se colocou à produção foi a escolha do realizador, que teria, para Hepburn, de estar interessado na história. Inicialmente, o estúdio pensou no jovem William Wyler (Ben-Hur, 1959), mas o produtor da RKO, Pandro Berman tinha pensado no também jovem George Stevens, que começou a sua carreira como operador de câmara e cuja experiência como realizador era em comédias de duas bobines. Katherine Hepburn considerou a experiência do realizador em comédia algo que poderia ser útil ao filme e aceitou uma reunião com o realizador. Nessa reunião, George Stevens manteve-se muito calado, o que levantou dúvidas à actriz. No entanto, o realizador foi contratado e mais tarde Hepburn compreendeu a atitude do realizador: Stevens não tinha lido o livro de Booth Tankington, embora o tenha feito após a reunião.

Após a escolha do realizador, a RKO começou a definir o restante elenco e com a aprovação de Katherine Hepburn, o estúdio contratou, sob empréstimo da Paramount Pictures, Fred MacMurray (Pagos a Dobrar), que acabara de ter sucesso em** O Lírio Dourado**. Para os papéis secundários, destaque para Hattie McDaniel, que viria a tornar-se no primeiro actor negro a vencer um Óscar, e para Hedda Hopper, que se tornaria na rainha da coscuvilhice em Hollywwod e que aqui tem um pequeno papel.

As filmagens de Alice Adams revelaram-se atribuladas, já que Katherine Hepburn e George Stevens entraram por vezes em conflito relativamente à visão que cada um tinha para o filme. No entanto, Hepburn reconheceu a qualidade do realizador e confiou nele em pleno. De tal forma que voltaram a trabalhar juntos em mais dois filmes, entre eles A Primeira Dama (1942), o primeiro de nove da dupla Katherine Hepburn / Spencer Tracy. Outro facto que perturbou as filmagens foi o argumento ter sido escrito ao mesmo tempo que se rodavam as cenas: os actores receberam, muitas vezes, as novas páginas do argumento no próprio dia em que as filmavam.

Esta produção da RKO foi a segunda adaptação cinematográfica da história de Booth Tankington, após uma versão muda produzida por King Vidor em 1923, e a RKO foi relativamente fiel à fonte original. A maior alteração que o estúdio fez foi no final da história, já que optou por um final feliz, típico de Hollywood. A opção do estúdio compreende-se à luz da Grande Depressão, que ainda pairava sobre os americanos, e revelou-se acertada: Alice Adams foi um sucesso comercial e valeu a Katherine Hepburn a sua segunda nomeação aos Óscares.


Alice Adams RKO Radio Pictures, Estados Unidos, 1935, 100 min., drama. Realizador: George Stevens. Argumento: Dorothy Yost e Mortimer Offner, baseado no romance de Booth Tarkington. Actores: Katharine Hepburn, Fred MacMurray, Fred Stone, Evelyn Venable, Frank Albertson

Numa pequena cidade, uma rapariga de poucas posses sonha em frequentar a alta sociedade e quando um rapaz rico lhe dá atenção, essa pode ser a oportunidade que sempre sonhara.